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RELEASE — ADRYANA RIBEIRO
Antes de ser a mulher que emplacou hits nas rádios do Brasil inteiro, Adryana Ribeiro veio de uma comunidade da zona norte de São Paulo, o Jaçanã, criada pela avó paterna, Dona Dirce. Cresceu como tantas meninas da comunidade: sem luxo, sem atalho, aprendendo cedo a se virar sozinha. Essa capacidade de se virar apareceu de novo aos 14 anos, quando começou a cantar. Trabalhava de dia e estudava a noite. E nos finais de semana o palco, às vezes em cinco casas noturnas diferentes na mesma noite. Foi cantando assim, batalhando desde garota, que chamou a atenção de Clodovil Hernandes, que a levou para seu programa de televisão. Ela tinha 20 anos e vinha de uma Cohab.O grande salto veio pouco depois. Ao entregar uma fita demo para Arnaldo Sacomanni numa festa da Sony é convidada para participar de um teste, e entre mais de 40 candidatas, é a escolhida pelo seu timbre vocal diferenciado, Martinho da Vila a conhece no dia do teste e se torna padrinho da carreira dela ali mesmo, em 1995, ano em que o jornalista Sergio Cabral cunhou o termo que ficaria colado ao nome dela por anos: "A Nova Revelação do Samba". Seu primeiro álbum reuniu participações do próprio Martinho, de Demônios da Garôa, Rafael Rabello e Luiz Carlos, da Raça Negra, e emplacou "Sempre Sou Eu" no Brasil inteiro.Quatro anos depois ela topou um desafio pouco comum para uma mulher no pagode dos anos 90, ser a líder de um novo grupo, com rappers, que misturava black music com samba. Nascia o Adryana & A Rapaziada, pela Abril Music, com produção de Arnaldo Sacomanni. Numa cena até então dominada por vozes masculinas, ela virou referência, com hits como "Só Faltava Você", "Tudo Passa" e "Fim de Noite", esta última ainda tocada e cantada até hoje, décadas depois do lançamento.A carreira solo voltou em 2005, pela Deck Disc, com o hit "Saudade Vem". Foi também nessa fase que ela ganhou uma cadeira de jurada musical no programa do Silvio Santos. Em 2013, a indicação ao Grammy Latino, com o álbum "Take It Easy My Brother Jorge", revisitando Jorge Ben Jor, levou sua voz para os pistas da Europa, onde "Taj Mahal" e "País Tropical" ganharam vida nova. No ano seguinte veio "Let's Go People", parceria com o DJ Tommy Love que dominou as paradas da cena LGBT por quatro anos seguidos, com remixes no México, na Europa e China.Em 2015, reuniu de novo a formação original do Rapaziada para o single "Ex". Quatro anos depois, subiu ao palco do Teatro Gazeta com "O Samba Vai ao Teatro", tributo a Beth Carvalho.2022 trouxe outro tipo de exposição: o Power Couple Brasil 6, ao lado do companheiro Albert Bressan. Foram até a final. Hoje ela circula entre três espetáculos, "Pagode 90", "Tributo Beth Carvalho" e "As 7 Rainhas", este último uma homenagem às 7 maiores cantoras de samba de todos os tempos. Em 2025, grava "Como Será o Amanhã", canção gospel de Jefte Santos numa versão sambista. A escolha não foi por acaso: a letra conta a história de uma menina da comunidade, que levanta cedo, trabalha como cabeleireira, mas sonha em ser cantora, a mesma menina que ela foi, décadas atrás, no Jaçanã.